Ocre

A Série Ocre é um ensaio sobre a cor marrom, a cor do nosso cerrado. O ensaio partiu de um desejo de olhar o destituído de cor, o monocromático, o que permeia as fases mais introspectivas da vida. A série é uma imersão estética para o âmago, para olhar o que em mim precisa ser colorido. É também uma imersão ao que me é imposto: o meu próprio lar. E nele decido viajar para dentro, para o que é meu, e o que me constitui: eu e o meu jardim.

Sendo assim, esse ensaio é uma ode à cor quando ela é pouca, mas terra quando ela é muita, feita de pó, de origem. O ocre que sabe ser humilde e preenche lacunas, é a anti sala das cores. Ele divide o mundo entre o colorido e o desaturado, ele é quietude, é pausa. E por muitos ocres passaremos nessa vida. Quando o turbilhão das cores nos sufoca com seus alardes de contrastes… O ocre descansa…. Quando tudo quer correr, o ocre baila em silêncio auto-imposto.

É nessa falta de cor que a escuta se ouve, e metanóias acontecem…. para que…. na volta do ar aos pulmões novas cores apareçam como convidadas há muito esquecidas…. que retornam após uma longa jornada…. e quando elas voltam: é para um café entre antigos amigos, quase pré-históricos.